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Uma enchente mudou São Paulo

Por: Mário César Mantovani

“Tudo começou com as ondas da Rádio Eldorado, que lançaram no ar um programa em conjunto com a BBC de Londres, realizado simultaneamente em dois países, por dois repórteres. Um, na Inglaterra, navegava no “despoluído” Rio Tâmisa e o outro, aqui no degradado Rio Tietê. Trocaram impressões ao vivo e, certamente sem saber, mexeram fundo com um sentimento adormecido no interior de milhares de ouvintes que acompanhavam atentamente a matéria.

A reação foi impressionante. Uma enxurrada de telefonemas, telegramas e cartas inundou a emissora com idéias, projetos, manifestações de apoio e ofertas de todo o tipo, demonstrando que o sonho de ressuscitar o Tiete estava mais vivo do que nunca e que muita gente estava disposta a trabalhara por isso.

Diante dessa receptividade, a Eldorado não deixou a água parar. Abriu seus microfones para todos os que tivessem algo a dizer para salvara o Tietê, e o resultado foi uma maré crescente de entusiasmo e mobilização.

Para canalizar essa energia social de transformação, a Fundação SOS Mata Atlântica criou o Núcleo União Pró-Tietê, com patrocínio do Unibanco Ecologia. Sua meta inicial: tornar concreta a vontade da população por meio da coleta de um milhão de assinaturas. O maior abaixo-assinado já realizado no país.

A meta foi superada em 200 mil assinaturas e a história do Tietê começou a mudar.

A despoluição antes considerada impossível passou a ser viável. O dinheiro que não havia começou a aparecer. O governo antes desinteressado assumiu o desafio como prioridade.

O resultado foi fantástico. Em tempo recorde a sociedade organizada criou condições para o início da recuperação do Tietê e rompeu com a história de décadas de degradação irresponsável.”

* Mário César Mantovani - Fundação SOS Mata Atlântica
Trecho da introdução da publicação “Observando o Tietê”- Núcleo Uniõa Pró-Tietê – Fundação SOS Mata Atlântica.

 
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